Espiritismo, a razão face a face

Sem a luz da razão empobrece a fé, Allan Kardec

Movimento espírita brasileiro no final do século XX por Cândido Pereira

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Abaixo surge um importante conjunto de informações assinadas por Cândido Pereira e foram vistos em devido tempo num blogue brasileiro, localizado – segundo os ficheiros que consegui reunir, em Jaboatão dos Guararapes – que incluía grande quantidade de trabalhos de diversos autores e também muitos comentários de leitores seus, facto que reflectia elevado espírito de abertura dos seus autores e o sentido largamente participativo dos interessados brasileiros que o visitavam.

Essa característica, considerada a qualidade e a extensão das participações publicadas, todas devidamente assinadas, as fotografias apresentadas, e variedade de outros factores, conferiam à partida a essa fonte uma inequívoca dignidade. Em especial a grande quantidade de comentários de desencontradas opiniões revelavam também a abertura de critérios posta em prática pelas pessoas que organizavam esse extensa e muito documentada página.


Depois de ter estado um tempo inactivo, por motivos que desconheço, o blogue em questão voltou a estar activo no seguinte endereço: LAMPADÁRIO ESPÍRITA.
Um dos responsáveis, Dâmocles Aurélio, teve a gentileza de me contactar, o que agradeço.
A referência “lampadário espírita”, em busca na internet, conduz a um destino completamente diferente. Será necessário bastante cuidado.
No link aqui incluído parece-me interessante a pesquisa ali acessível do arquivo de revistas de 2006 a 2016, em que aparecem os trabalhos aqui publicados de Cândido Pereira, que recomendo.

QUADRO DESCRITIVO DO MOVIMENTO ESPÍRITA BRASILEIRO NO FINAL DO SÉCULO XX

por Cândido Pereira

É necessário fazer o estudo da história do Espiritismo no Brasil para se entenderem as causas de tanta deturpação no atual Movimento Espírita.
O pensamento espírita no final do Século XX, representando o Movimento Espírita, pode ser classificado em três grupos que se diferenciam pela compreensão do que é o Espiritismo, onde a questão básica é o aspecto religioso. Portanto, podemos dizer que o controle do Movimento Espírita continua sendo o mesmo que no final do Século XIX.

I. – GRUPO GERAL DOS UNIFICADOS ou DOMINANTES.

Este é o grupo dominante. Entre os seus membros existe uma falsa união, abafada pelo desejo de status. É o grupo da elite, dos alienadores que utilizam processos de massificação de ideias e técnicas condicionantes.
O grupo Unificador do Século XX é a fusão do grupo dos Místicos do Século XIX, agrupando em um só bloco: os “Roustainguistas”, “Ismaelinos” e “Kardecistas”.
Passado um século, continuam firmes, juntos, unidos num só pensamento. Agora, os Místicos são os Unificadores ou Dominantes, cujo controle está nas mãos da FEB – Federação Espírita Brasileira, que estando bem posta no cenário nacional e internacional, pode-se dar ao luxo de ditar normas e caminhos para os outros seguirem. O Conselho Superior da FEB dita as normas, que a diretoria executa, referendadas pelo CFN.
Este grupo controla o Movimento Espírita através da FEB

1) FEB – Federação Espírita Brasileira, que adotou o slogan – só é espírita aquele que participa do Movimento de Unificação em torno da FEB.
A FEB que é a maior e mais antiga instituição espírita do Brasil, sociedade respeitável até no exterior, tem sobre os ombros a tarefa de manter acesa a chama do Espiritismo. Deveríamos todos nos unirmos em torno da FEB, mas é necessário que esta sociedade dê o primeiro passo em busca da União.

2) – CFN – Conselho Federativo Nacional.
Trata-se de um departamento anexo da FEB, que congrega todas as federativas estaduais. Não constitui uma sociedade ou órgão nacional à parte; é parte integrante do quadro administrativo da FEB, cujo presidente é o mesmo da FEB, assim como os secretários.

Em suas reuniões, quer regional quer nacional, que se reúne anualmente, é formada pelos conselheiros que são os presidentes de cada federativa estadual. Os presidentes das entidades de âmbito nacional não têm voz e voto no CFN e não participam dos encontros regionais.
Esses encontros, tanto regional e nacional são dirigidos pelo presidente da FEB e são utilizados para controlar as Federações Estaduais, e, por conseguinte, os Centros Espíritas a ela aderentes.
A reunião anual do CFN–da-FEB tem como objetivo principal, deliberar e aprovar decisões do Conselho Superior da FEB.

O CFN não tem autonomia e seus conselheiros (espécie de Gerentes Regionais) resumem o seu trabalho e o apresentam em forma de relatórios sobre as atividades desenvolvidas pela federativa em seu Estado. Igualmente, relatam as atividades das sociedades espíritas não aderentes, bem como do indevidamente chamado “Movimento Paralelo”, denunciando os seus passos.
E a partir desse modelo (autocrático?), foi criada uma estrutura de controle hierarquizada sob a denominação genérica de GRUPO GERAL DOS UNIFICADOS, que abrange:

1. – FEDERAÇÕES ESTADUAIS.

São uma espécie de sucursais da FEB ou se desejarem, Filiais. Funcionam como posto avançado, Torre de Vigia, reportando à FEB tudo o que ocorre no Movimento Espírita local. O presidente da federativa estadual é tratado pela FEB como um gerente regional da sucursal.
São as federações estaduais que fazem cumprir as normativas e determinações da FEB; muito embora tenham autonomia (controlada) nada fazem além do que é decidido por aquela.
Quanto mais pobre é o Estado da União e, portanto, menor sua força política, mais presente e atuante se faz a FEB e a federativa estadual é por sua vez mais subserviente.
Em Estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, e Santa Catarina por exemplo, pouco se nota a influência da FEB nas federativas estaduais.

Na verdade, em São Paulo, o Movimento Espírita é tão frouxo e tão disperso, que apesar de toda atenção dispensada pela FEB, não consegue adesão aos seus princípios.
Em São Paulo quem representa o Estado no CFN é a USE – União das Sociedades Espíritas; quem manda é a FEESP – Federação Espírita do Estado de São Paulo.

São as federações estaduais que dão sustentação ao CFN, e consequentemente, a FEB. Sem as federativas, a FEB perderia o seu controle sobre o Movimento Espírita brasileiro.
Em resumo, O Grupo Geral dos Unificados é coordenado pela FEB, secundado pelo CFN e Federações Estaduais, apoiados no poder econômico e não na Codificação Espírita.

2. – CENTROS ESPÍRITAS

As Federações estaduais procuram obter ao máximo a adesão dos Centros Espíritas. A adesão funciona como uma espécie de rédea curta ou cabresto; no entanto, senão gostam dos termos, podemos substituir por outro: camisa de forças.
Os Centros Espíritas aderentes dão cumprimento às determinações da FEB através das federações estaduais.
De forma habitual, os Centros Espíritas vêm sendo submetidos a um processo de massificação de ideias advindas da FEB. Não lhes é dada a oportunidade de debate; só lhes cabe obedecer; e qualquer atitude menos amistosa, é vista como ato de rebeldia e, portanto, todas as providências são tomadas no sentido de inibir o avanço das ideias contrárias.
A Federação adota então, um processo de “intervenção branca”, realizando uma espécie de “retaliação” contra a instituição destoante do conjunto.
A bem da verdade, a atitude da FEB e das federações estaduais está de acordo com o regulamento e estatuto de adesão. Quando se faz adesão, está-se concordando com tudo que ali consta. Diferentemente seria, no entanto, se houvesse afiliação consciente.

Como o indivíduo que ocupa a presidência de um Centro Espírita aderente nem sempre se dá conta da manipulação sofrida, aceita a imposição da federativa porque primeiro pensa em salvaguardar o seu cargo de presidente.
Os Centros Espíritas ainda desconhecem o poder de decisão que possuem. Se eles, os presidentes de Centros Espíritas soubessem que possuem esse “poder”, a federação mudaria o seu proceder e a FEB reformaria o seu método de controle, e principalmente, se tornaria democrática.

– PROCESSO UTILIZADO.

Atualmente vem se destacando o processo da massificação da ideias e a cristalização dos conceitos através do:

a) ESDE – Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita.
A FEB criou esse sistema de estudo objetivando massificar a ideia de um espiritismo cristão e, principalmente, tornar aceite por todo o Movimento Espírita a sigla FEB.
É muito comum se ouvir dos que participam desse “curso” que os livros editados sob a sigla FEB, são garantia de ensinos doutrinários corretos. E mesmo que essas pessoas leiam o livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, “Elos Doutrinários” e “Jesus Perante a Cristandade”, por exemplo, continuarão com a mesma opinião. Nada perceberão nessas obras que lhes chamem a atenção. São eternos “cegos manipulados por caolhos”.

Este é o papel do ESDE: massificar e condicionar ideias direcionadas e levar o Movimento Espírita a aceitar sem restrição que o Espiritismo é o Cristianismo redivivo.

RESUMO: O Grupo Geral dos Unificados ou Dominante impõe o seguinte pensamento, aceite e obedecido pelos Dominados:

1. – Estuda, publica e defende as teses de J. B. Roustaing que estão inscritos como princípios seguidos pela FEB- Federação Espírita Brasileira, em cláusulas consideradas inamovíveis dos seus próprios estatutos:

2. – Aceita pois, defende e propaga:

a) O Docetismo;
b) A tese do corpo fluídico de Jesus;
c) Que Jesus nasceu apenas na aparência e, portanto, não houve a “morte” do corpo físico, que ele não teve;
d) Que Maria, mãe de Jesus foi Virgem Imaculada;
e) Que a gravidez aparente de Maria não passava de um sistema psicológico;
f) promove por isso a chamada Cristolatria;

NOTA: Se tiver dúvidas, leia o livro “Os Quatro Evangelhos” de J. B. Roustaing.

3. – Criou a sua filosofia (ou mitologia?), afirmando que:

a) O Evangelho foi transplantado da Palestina para o Brasil;
b) O Evangelho no Brasil é coordenado pelo Anjo Ismael;
c) O Anjo Ismael é o guia espiritual do Brasil, da FEB e do Movimento Espírita brasileiro.

NOTA: Em caso de dúvidas, consulte o livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, anunciado como tendo sido psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier e supostamente ditado pelo Espírito Humberto de Campos.

4. – Transformou o livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, em:

a) A Bíblia da FEB – o livro sagrado do poder;
b) A bússola do Movimento Espírita brasileiro.

NOTA: Veja o mandamento (art. 1º) do “Pacto Áureo”, que determina que esse livro têm a função de bússola.

5. – Transformaram o livro “Os Quatro Evangelhos” de J.B. Roustaing, em:

a) A revelação e constituição do espiritismo cristão;
b) Que se destina ao homem de inteligência;
c) Que os livros de Allan Kardec destinam-se ao comum da Humanidade (homens pouco esclarecidos);
d) Que o livro de Roustaing é um Curso Superior de Espiritismo, destinado ao homem de Q.I. superior.

NOTA: Essas afirmações encontram-se no livro “Elos Doutrinários” de Ismael Gomes Braga (edição FEB).

6. – Deixa transparecer que:

a) A FEB é a locomotiva do Movimento Espírita; as Federações estaduais, os vagões; os Centros Espíritas, as Estações (estanques).
b) Os Centros Espíritas são meros participantes no contexto controlado pela FEB;
c) Os livros – todos sem exceção, publicados pela FEB, têm um selo garantidor da verdade plena e incondicional.

NOTA: Os interessados encontrarão essa beleza doutrinária no livro “Elos Doutrinários” do Sr. Ismael Gomes Braga, edição FEB, página 36 (último parágrafo).

7. – O Grupo Dominante utiliza duas linguagens:

a) Uma, para a divulgação do Espiritismo para o público externo;
b) Outra, para o público interno, controlando o Movimento Espírita.

8. – Quem discorda do pensamento do grupo Dominante, é considerado:

a) Espírito das trevas;
b) Que está obsidiado;
c) Que está a serviço do mal;
d) Que se julga um missionário.

9. – O grupo Dominante defende:

a) A hipótese de um homem: Roustaing;
b) A formatação do comportamento humano no Centro Espírita, através de normas;
c) O Espiritismo desnaturado e adjetivado;
d) A evangelização da criança, do adolescente e do adulto;
e) O Movimento Espírita formado por classes sociais e dividido por categorias profissionais;
f) A criação do chamado “Movimento Paralelo”, rejeitando os que não lhe são subserviente.

NOTA: Movimento Paralelo, termo pejorativo utilizado pela FEB para designar o trabalho realizado por pessoas ou sociedades espíritas, sem a sua participação ou autorização.

10. – Os Dominantes, ao longo da história do Movimento Espírita teve um enorme contingente de pessoas que de uma forma ou de outra, manipularam esse movimento em vários aspectos, como:

a) Tornando o Espiritismo subalterno ao Evangelho.
Defensor: Bittencourt Sampaio.
b) O Espiritismo subalterno a Roustaing.
Defensor: Antônio Luiz Sayão.
c) O Espiritismo como Cristianismo Espírita.
Proposto por: Dr. Bezerra de Menezes, em 1895.
d) Consolidação do misticismo.
Realizado por: Aristides Spínola.
e) Massificação da ideia dos “místicos”.
Executor: Guillon Ribeiro.
f) Controle total do Movimento Espírita.
Realizado por: Wantuil de Freitas.

NOTA: É bom salientar que aí estão em termos gerais, os princípios do Grupo Geral dos Unificados ou Dominante e os principais dominadores. No entanto, em cada item, agrupam-se várias ideias e pessoas.
O mais dominante de todos foi, não resta dúvida, o Sr. Wantuil de Freitas, que monopolizou por mais de duas décadas. Além de introduzir ideias, Wantuil de Freitas concretizou, tornando lei ideias até então rejeitadas.
Embora seguindo os mesmos princípios, o mais desastrado foi o Sr. Armando de Oliveira Assis, pois conseguiu com sua fraqueza (manipulado por Luciano dos Anjos), dividir até mesmo os seus partidários dominantes.
Por conta desse processo condicionante, mas sem preocupação com o Ensino Espírita, levou ao surgimento de subgrupos como parte integrante do Grupo Geral dos Unificados, que podem ser denominados de:

1. – GRUPO DOS DOMINADOS.

É o grupo mais numeroso. Aqui se ajuntam os que obedecem às ordens emanadas do Grupo Geral dos Unificados. Encontram-se na condição de alienados; e quase todas as sociedades espíritas estão sob o controle do Grupo Geral dos Unificados.
São geralmente as que não têm ideias próprias e são facilmente influenciáveis e quando discordam de uma questão, preferem calar.
Neste grupo, há uma tremenda confusão de conceitos, concepções e compreensão acerca do que é o Espiritismo. Estão e são aceites num mesmo patamar, tanto o novato quanto o principiante espírita (1), sem se fazer a menor diferenciação.

Partindo de uma premissa sofística, equiparam o estudioso ao leigo.
Tomando uma assertiva de Leopoldo Machado, que certa vez afirmou que no “Espiritismo não há professor”, seguem ao pé da letra e não reconhecem ou não admitem que nem todo espírita tem a mesma compreensão.
Essa tese da igualdade de conhecimento das pessoas é defendida pelos principiantes espíritas, que são aqueles que não estudam a Doutrina Espírita e apenas lêem (quando lêem) e não conseguem compreender a leitura que fazem.
Às vezes, um ou outro chega a conclusões lógicas, mas se acomoda, permanecendo no lugar que escolheu. E ainda são, acima de tudo, parciais, melindrosos e agressivos; defendem os seus alienadores.
Os Dominados se subdividem em várias facções, sendo, no entanto o mais forte:

A). – GRUPO DOS NÃO-COMPROMISSADOS.
É um grupo forte, quer pelo número de participantes quer pelo poder econômico que detém. Não tem compromisso com a verdade, mas são aceites pelos Dominantes e estão inseridos dentre os Dominados.

Formam sociedades, escrevem livros e fazem palestras. São os fariseus do nosso tempo. Conseguem facilmente se imiscuir no Movimento Espírita, mas não tem a mínima responsabilidade pelas consequências de seus atos e atitudes.
São pessoas com boa escolaridade acadêmica em geral, mas sem responsabilidade pelo que falam, escrevem ou praticam. Introduzem as mais estapafúrdias ideias e processos extravagantes no seio espírita, tais como:

Apometria – técnica desenvolvida a partir das pesquisas do porto-riquenho Luiz O. Rodrigues e ideias do Espírito Ramatis, organizadas pelo médico José Lacerda.

■ Os introdutores de toda espécie de abusos da consciência. Destaca-se a prática e uso da pirâmide, para realizar “curas”; a cristalogia e cromoterapia, etc.

■ Curso de Aprendizes do Evangelho, com caderneta de acompanhamento do comportamento do aluno (aprendiz). Destacam-se: Edgar Armond e Rino Curti;

■ Fundação de sociedades por categoria profissional, como de magistrados, psicólogos, médicos, advogados, delegados de polícia, etc.

O grande engano desses grupos é que não criam sociedades para estudar a forma de o Espiritismo ser empregado na prática de sua atividade profissional. De que modo o Espiritismo pode ser útil à prática médica; na ajuda aos pacientes através da psicoterapia na relação de ajuda pelos psicólogos; de que forma os advogados podem ajudar os criminosos.
Não. Isso não é assunto de estudo nessas sociedades. A preocupação básica é o status. Desejam ocupar posição de destaque no meio espírita; não se misturar com a “ralé” que frequenta e participa do Centro Espírita, que é visto, quase sempre, com desprezo.
O Grupo dos Não-Compromissados, são protegidos pelo Grupo Geral dos Unificados; igualmente, são alienadores e, por conseguinte, alienados.
Tem nos médiuns: Carlos Antônio Baccelli, Wanderley Soares e Robson Pinheiro seus grandes expoentes na área da mistificação.

II. – GRUPO DOS NÃO-RELIGIOSOS.

1. – LAICOS.

Estão agrupados, especialmente, em torno da CEPA – Confederação Espira Pan-Americana.
Defendem um Espiritismo Laico; não admitem o “Jesus” fluidico, a idolatria a Maria e principalmente defendem o Espiritismo como: Ciência, Filosofia e Moral.

O movimento laico está se organizando e se tornando enorme, já contando o “Grupo de Santos” e o Jornal “Abertura”, da cidade de Santos-SP;
o Centro Cultural Espírita de Porto Alegre – CCEPA , que edita o jornal “Opinião”;
a ADE-SC, que edita a revista “Harmonia” ;
o IPEPE – Instituto do Pensamento Espírita de Pernambuco e ASSEPE – Associação de João Pessoa, dentre outras.
Há uma tendência de se conseguir adesão de várias sociedades espíritas nos Estados brasileiros. É um movimento em ascensão que busca atrair o denominado “Movimento Paralelo”.

III. – GRUPO DOS ESPÍRITAS (CENTRADOS).
É reduzidíssimo o número de participantes. São independentes entre si, não chegando a formar uma sociedade ou associação. Embora tenham ideias próprias, participam de sociedades sob o controle dos Unificados sem causar-lhes atropelos, mas quase sempre sofrem restrições.

1. – Estuda, divulga e defende a Codificação Espírita:

a) O aspecto religioso é visto como um elemento componente do Espiritismo, aceitando-o como uma religião não-constituída;
b) O Evangelho é estudado e pode ser explicado pelo Espiritismo, pois é este que tem a chave;
c) A moral espírita é a moral do Cristo;
d) O ensino espírita é o ensino do Cristo.

2. – Jesus é visto como:

a) Um Irmão Maior, que viveu e sofreu todas as dores, dissabores e fraquezas humanas, tão comuns a Humanidade;
b) E o espírita centrado sabe que “a distância que o separa de Jesus, é menor que a distância que há entre Jesus e Deus.”

(Gabriel Delanne).

3. – O Espírita Centrado:

a) Aceita o homem tal qual ele é, respeitando-o em suas grandezas e limitações;
b) Nada proíbe;
c) Defende o Espiritismo sem adjetivação;
d) Não se preocupa em evangelizar o homem, mas objetiva espiritualizar o Ser;
e) A doutrina que divulga é a Espírita, que advém dos Espíritos, após um consenso universal, Coordenado pelo Espírito Verdade e Codificado por Allan Kardec;
f) O Espiritismo é visto como uma prática de ensino-aprendizagem; e o Centro Espírita, como núcleo de aprendizagem e disseminação do Espiritismo.

4. – Destacaram-se nessa luta, especialmente a partir da metade do século XX:

a) Moderado, mas de posição firme:
Carlos Imbassahy, Deolindo Amorim, Mário Cavalcante Melo, Yvonne A. Pereira, Manoel Arão, Vianna de Carvalho, Lauro Schlêder, Alfredo Miguel, etc.

b) Polêmico, atraindo e chamando a atenção de determinado fato que estava desapercebido:
J. Herculano Pires, Henrique Andrade, Leopoldo Machado, Abstal Loureiro, Carlos Bernardo Loureiro, etc.

c) Incisivo, causando impacto no meio espírita:
São também antifebianos e nessa rubrica, também está Herculano Pires, Júlio Abreu Filho, Luciano Costa, Gélio Lacerda da Silva, general Molinaro.

NOTA: De um modo geral, ainda não soou a hora dos Centrados, que é a própria Doutrina Espírita. Mas, acreditamos piamente que o Espiritismo ainda será compreendido no todo pelos espíritas, e aí não haverá mais divisão do ponto de vista da compreensão.

Podemos dizer que o Grupo dos Centrados são os herdeiros legítimos do

grupo dos Kardecistas, assim designados os que não aceitavam a hipótese roustainguista.
Não são “misticos” nem “laicos”, mas apenas ESPÍRITAS. A partir de 1978, a FEB alterou a denominação de Kardecista para Movimento Paralelo, era mais abrangente, incluindo não só espíritas, mas também: casas espíritas, eventos, livros, jornais e tudo que não tenha o selo de “Unificação em torno da FEB”.


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Referências:
(1)- principiante espírita – São os que aceitam e seguem a orientação emanada de uma determinada organização, em detrimento da orientação preconizada pela doutrina e contida na Codificação Espírita. A existência de sociedades espíritas como FEB, federação estadual ou Centro Espírita, depende diretamente da existência de espíritas e enquanto existir o espírita que busca o poder e o desejo de mandar, o movimento continuará sendo o “eldorado” dos aventureiros, ou seja, dos principiantes espíritas, que não tem compromisso com a Doutrina Espírita.

Cândido Pereira
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Data da publicação: é impossível datar com rigor a publicação deste trabalho de Cândido Pereira. Como guardo outros textos da mesma origem, que guardei pelo seu interesse, é-me possível verificar que foram publicados entre 2010 e 2012. Deixo apenas esta referência, como orientação aproximada.

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Nota inserida pelo autor deste blogue a respeito da influência brasileira pelo menos num centro espírita português:

Há alguns anos, tendo visitado um bem instalado centro espírita em Portugal que vende livros espíritas, a grande maioria dos quais é importada do Brasil, fiz referência a um curso de espiritismo pela internet que foi organizado em Portugal por uma entidade bastante conhecida.
Com grande à-vontade o referido elemento dirigente afirmou de pronto: “Não, esse curso não presta, os da Federação Espírita Brasileira é que são bons!…”. E logo ali me vendeu uns bons cinco quilos de “apostilas”, palavra que em Portugal ninguém sabe o que quer dizer.
Dei uma boa vista de olhos às pesadas “apostilas”, li todo o Volume I do “programa fundamental” e pude confirmar a ideia que fazia dos critérios doutrinários da FEB.

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