O meio espírita português, depois de cinquenta anos de proibição durante o chamado “estado novo”, não soube manter a sua independência cultural nem conservar a proximidade ao espiritismo europeu, científico-filosófico e dialogante tal como  no-lo apresentou Allan Kardec;

Atualmente o espiritismo em Portugal chega-nos através do Brasil, onde atravessou século e meio de fenómenos histórico-culturais muito específicos e sofreu desvios muito profundos. Esse estado de coisas não é ignorado no Brasil onde se têm distinguido elevado número de prestigiados estudiosos espíritas.

Muitos dos centros espíritas atuais, quer no Brasil quer em Portugal, recusam o “roustainguismo” (ver com cuidado os trabalhos já aqui publicados a esse respeito) por carecer de prestígio cultural e por ter sido rejeitado pelo próprio codificador Allan Kardec, MAS SEGUEM-NO DE FORMA SISTEMÁTICA NA SUA PRÁTICA DOUTRINÁRIA E IDEOLÓGICA.
EM CONCLUSÃO – Há muitos espíritas que seguem esses princípios e essa prática e não têm a mínima consciência disso!…

Deixam de lado uma cultura optimista e libertadora e entram num clima dogmático e penalizante, demasiado influenciado pela ideologia católica, a mesma que sacralizou Jesus de Nazaré para o afastar dos homens seus irmãos.
Jesus é nosso modelo, como nos diz o ensino dos espíritos, mas é detentor de um Espírito do mesmo tipo que o nosso e encarnou com um corpo exactamente como o nosso, tendo sido  nessa qualidade e nessas condições que viveu entre nós;

O modelo “roustanguista” tem desvirtuado completamente a natureza e qualidade espiritual de Jesus de Nazaré, bem como tem afastado Allan Kardec, substituindo-o por uma multidão de médiuns famosos e suas criações absurdas, desviadas da preciosa cultura espírita.


LIBERDADE E INDEPENDÊNCIA DE PENSAMENTO

O autor destas linhas e desta página não fala em nome de grupos organizados, tendências ideológicas ou cismas religiosos. É um cidadão português como qualquer outro, muito interessado pela cultura espírita, pela utilidade e valores com que nos enriquece para o presente, nesta e nas vidas futuras que nos esperam.

O espiritismo português na sua prática actual

Há em Portugal uma federação espírita que faz aquilo que qualquer federação faz, isto é, controla e uniformiza critérios; seleciona como centros “autênticos” aqueles que se identificam com o modelo que propõe.
Pelo conhecimento das pessoas e por sinais e exteriorizações que se tornam evidentes dá para conhecer o procedimento desses centros, incluindo e descontando os casos particulares.
Os palestrantes espíritas tornam-se conhecidos e fornecem uma visão padronizada, usam a mesma linguagem e denotam as mesmas tendências.

Os médiuns famosos importados do Brasil

A visitação de palestrantes e médiuns famosos de origem brasileira repetem-se, trazendo-nos sempre pessoas do universo da FEB-Federação Espírita Brasileira.
Uma constante muito dinamizadora desses eventos é a mesa dos livros repleta de frutos da bem oleada máquina de exportação de obras mediúnicas da todo-poderosa FEB e respectivo pessoal itinerante.
Os médiuns que “assinam” esses livros e os palestrantes brasileiros que nos visitam, têm vindo a assenhorear-se de todo o horizonte da cultura espírita em Portugal, sendo um facto que nem no Brasil gozam de prestígio consensual, muito longe disso.

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Allan Kardec, cada vez mais um símbolo distante que não se estuda a sério

Os livros de Kardec ficam lá atrás, na zona administrativa do centro ou na prateleira da receção, onde disciplinadamente se alinham, longe da grande mesa repleta de obras magrinhas do mediunismo confuso que nada adianta para os que realmente querem alcançar uma ideia amadurecida sobre a origem e o destino da humanidade.
Essas numerosas obras com ficções mediunísticas sem sustentação científica nem lógica doutrinária, as frases do misticismo pseudo-poético que nem empolgam nem elucidam, os termos exóticos sem nenhuma referência concreta à filosofia consistente do espiritismo estudado a sério, as projecções do orientalismo, da teosofia – alheios e até antagonistas da nossa cultura, eu sei lá…

 

 

 

 

 


 

 

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